O Predador (The Predator - 2018)

September 28, 2018

A franquia Predador é uma dessas em que os donos dos direitos autorais (a Fox, neste caso) nunca soube como aproveitar a adoração do público para tirar dinheiro do material. A raça alienígena criada em 1987 no filme clássico com o Arnold Schwarzenegger sempre foi adorada pela criatividade com que age. Agora, é a vez do diretor e roteirista consagrado Shane Black tentar a mão com os ETs.

 

Ele busca as raízes da série ao colocar um grupo de militares em confronto com os espécimes de outro planeta, mas reinventa ao trocar um esquadrão secreto especial por seis homens afastados do exército por problemas mentais. Eles são liderados por McKenna (Boyd Holbrook), um atirador de elite que sobreviveu a um confronto com um predador e enviou uma prova escondido para casa. Ele não esperava que isso iria atrair o governo e os alienígenas para o filho autista dele.

 

Com isso, Black tem a desculpa perfeita para fazer um filme que combina a violência dos monstrengos com muito humor e diversão. Porque o grupo dos protagonistas é mesmo de pessoas insanas. Um é suicida e arrisca a vida com um sorriso no rosto, outro tem síndrome de Tourette, e por aí vai. Eles são eficientes e malucos o suficiente para enfrentar os predadores, mas também fornecem momentos hilários.

 

O que gera simpatia de duas formas. Primeiro porque eles são os azarões que não têm intenções negativas. Segundo por fazerem rir. Duas cenas em especial, quando eles resgatam a bióloga Casey (Olivia Munn), que sabe demais sobre as criaturas, e quando conhecem a esposa de McKenna, são de trazer o cinema abaixo em gargalhadas.

 

Também ajuda uma excelente construção de personagens. Todos poderiam ser um estereótipo de insanidade, mas cada um tem a história pessoal e os próprios tiques. Isso também vale para o vilão, que tem uma mania de rir de comentários específicos quando sabe de algo a mais que os outros personagens. E todos possuem bons intérpretes que sabem explorar cada característica de forma a acrescentar aos dramas pessoais e à comédia.

 

Mas tanto humor não tira a tensão da presença dos bicharocos interplanetários. É reflexo do talento de Black em equilibrar o texto entre momentos engraçados quando a trama se desenvolve com ação rápida embasada no perigo dos alienígenas. Os humanos sempre estão em desvantagem, e por isso, o espectador se vê com medo por eles. Ainda mais porque as situações exploram bem as dinâmicas das situações e dos espaços.

 

Em certo ponto, o grupo encara um predador em uma escola até descobrirem, no fim da cena, uma reviravolta importante para a narrativa. Enquanto isso, eles correm por corredores, são prensados em janelas, atravessam paredes e terminam de volta no estacionamento para a revelação. O que atrapalha é que Black faz com que muito da ação ocorra entre cortes rápidos, o que faz com que muito do que ocorre na tela seja confuso.

 

Isso fica mais evidente quando um certo objeto que conduz a trama muda de mãos sem que fique claro com quem ele está, ou quando pessoas morrem em meio a tiroteios e não há como saber quem era o vulto que perdeu a cabeça no ângulo escuro anterior. Foi um dos heróis ou um dos vilões?

 

Isso não atrapalha a boa montagem, que dita um ritmo gostoso e divertido, e nem a criatividade para continuar a construção do universo dos alienígenas. O filme entretém do começo ao fim, faz sentido dentro da franquia e a expande de forma a dar continuidade a ela. Sim, podem esperar que, se este fizer sucesso, há ganchos para mais.

 

Foto: divulgação

Vinícius Brandão é autor do site Aquela Velha Onda e parceiro da Se7e Cultura. Acesse aqui a programação dos cinemas.

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