Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo (Mamma Mia! Here We Go Again – 2018)

August 7, 2018

O material promocional dessa continuação do musical de sucesso de dez anos atrás deixa clara a intenção dos realizadores, “O filme mais alto astral do ano”. Nem é tão difícil ver isso em imagens como a de cima. Cores saturadas, gente feliz, luzes douradas, pétalas de flores que caem de lugar nenhum. Assim como o original, Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo é cafona. E não tem nada de errado nisso.

 

E não falta cafonice quando Sophie (Amanda Seyfried) tenta reinaugurar o hotel da mãe na Grécia um ano após a morte dela. Mas, no dia do evento, apenas Sam (Pierce Brosnan), o pai que amou e casou com a progenitora, pode comparecer, enquanto os outros, Bill (Stellan Skarsgård), Harry (Colin Firth), e o marido de Sophie, Sky (Dominic Cooper), ficam presos a negócios em outros continentes.

 

Realmente, não há muita história a ser contada na continuação. Um dos grandes problemas da ideia é que Mamma Mia!, o musical original, tem um enredo fechado e não precisa de sequência para a história. A solução encontrada aqui é fazer um paralelo da herança de Sophie com a forma como Donna (vivida na juventude por Lilly James), a mãe dela, se envolveu com três homens no mesmo período, engravidou, e começou a vida como dona do hotel.

 

Além disso, o segundo filme tem outro defeito óbvio: a coletânia das melhores músicas da banda Abba já estava no original. Dos grandes sucessos, sobram Waterloo e Fernando. O que diminui, e muito, o charme da sequência. Ainda mais porque o elenco que retorna, encabeçado por Amanda Seyfried, parece ter voltado contra a vontade. A atriz nem sequer parece ter peso nos dramas pessoais, que são supérfluos, como não consegue carregar a trama com o carisma.

 

Ao mesmo tempo, é na trupe nova que a produção parece encontrar novo respiro. De Lilly James, que se revela cada vez mais uma grande atriz, para a Seyfried, a trama atual perde ainda mais força. De forma que o passado de Donna fica na saudade sempre que Sophie está em cena. Além disso, os dois enredos paralelos sobrepostos fazem com que Lá Vamos Nós de Novo se arraste mais do que é necessário por 114 minutos.

 

Isso também acontece porque o roteiro dá muito destaque para a parte mais chata, no presente. Inclusive com uma adição desnecessária apenas com o intuito de colocar Fernando no repertório. O momento, coroado com fogos de artifício e dois personagens com os quais ninguém se importa, é o ápice da breguice que marca essa franquia.

 

Mais uma vez, a cafonice pela cafonice não é um problema. É como ela é usada. O novo diretor, Ol Parker, reforça a breguice e cria cenas primorosas. Uma delas é a em que Donna, apaixonada, corre em uma plantação de laranjas em câmera lenta e dá uma estrelinha. Ainda mais com frutas e árvores de cores tão fortes que são obviamente falsas. É brega, é bobo, é engraçado e divertido. Como o marketing deixou claro, é alto astral.

 

Até chegar em Fernando, que não parece só ser alto astral, mas abraça a ingenuidade e o absurdo. Principalmente com a presença de um Andy Garcia canastrão como nunca em uma tentativa pífia de canto.

 

Por outro lado, Parker é um diretor inteligente e faz uma montagem que conecta os temas da história de Donna e de Sophie. De certa forma, é como se uma estivesse herdando os desafios e códigos morais da outra. Quando uma tempestade atrapalha a inauguração do hotel para a filha, uma tempestade leva a mãe a descobrir o terreno que se transforma na instalação. Apesar da falta de uma história decente, o realizador a conta com eficiência.

 

Quanto termina, Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo funciona muitíssimo bem. É cafona, divertido, feliz, tem cenas musicais que entretém e problemas de ritmo e de roteiro. Não se compara ao original, mas certamente não é uma perda de tempo. Só é preciso reafirmar que o Andy Garcia precisa parar de atuar. Não faz bem para os espectadores e para a percepção pública dele.

 

Foto: divulgação

Vinícius Brandão é autor do site Aquela Velha Onda e parceiro da Se7e Cultura. Acesse aqui a programação dos cinemas.

 

 

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