O Novo Herói da China (Arranha-Céu: Coragem Sem Limite – 2018)

August 1, 2018

Em 1988, o gênero de ação mudou para sempre. Os homens durões que resolvem tudo sozinhos inicializados pelo faroeste, pelos gangsteres e por produções de guerra (e que depois seriam imortalizados nas figuras de Arnold Schwarzenegger e de Silvester Stallone) se viram sem espaço quando o engraçado e vulnerável John McClane de Bruce Willis revigorou as fórmulas com Duro de Matar.

 

 

 

O sucesso foi tanto que virou o nome de um sub-gênero que foi imitado por quase todo astro de ação. Jean-Claude Van Damme, Stallone, Harrison Ford, e até gente como Keanu Reeves e Gerard Butler tiveram suas cópias. E agora, chegou a vez da nova estrela de Hollywood fazer a incursão no estilo.

 

A semelhança da história do especialista em segurança Will Sawyer (Dwayne Johnson) com a de McClane é proposital. Ele é contratado para revisar o sistema de segurança do Pérola, prédio recém finalizado que bate o recorde de mais alto do mundo, para que ele possa ser inaugurado. No meio do processo, um grupo de criminosos toma o edifício e o incendeia com a família de Sawyer dentro.

 

Na verdade, os estúdios Legendary e Universal sequer escondem que a produção é uma mistura de Duro de Matar com outro clássico ainda mais antigo, Inferno na Torre. Eles chegaram a liberar cartazes que brincam com as semelhanças. Isso porque, na verdade, o mercado em que estão mirando não é o ocidental, mas o da China.

 

Não à toa a história se passa em Hong-Kong e metade do elenco é formado por atores chineses. Com direito a muitas falas em cantonês. Vale lembrar que a Legendary foi comprada por uma empresa chinesa para garantir lançamentos de arrasa quarteirões no país. Com mais de um bilhão de pessoas, a China muitas vezes salva as bilheterias de filmes muito caros e, justamente por isso, se tornou alvo de estúdios.

 

Assim, o diretor, roteirista e produtor do filme, Rawson Marshall Thurber, nem tenta ironizar com a proposta absurda e obviamente inspirada em outros longas. Ele busca fazer um drama de ação sério. E consegue, quando as cenas não descambam para o exagero.

 

Especialmente porque não cai na armadilha dos filmes com Johnson que o retratam como uma espécie de super humano mais forte que a lógica. Muito pelo contrário, logo no início, Sawyer perde a perna e é forçado a viver com uma prótese e afastado do serviço militar. O que o torna vulnerável para o conflito que vai enfrentar.

 

Além disso, Thurber faz com que ele se fira toda vez em que precisa confrontar um inimigo ou fazer alguma proeza improvável. O herói é esfaqueado, não consegue suportar pesos anormais, se cansa, é rendido inúmeras vezes e nunca chega a puxar um gatilho. Essas fraquezas físicas o tornam mais identificável para a plateia, que torce por ele e sente medo quando ele está em perigo.

 

Outro fator determinante é o desenvolvimento tanto do roteiro quanto das situações de perigo. As cenas de ação aumentam os riscos à medida em que os protagonistas encontram soluções. Então, quando Sawyer consegue alcançar um guindaste para chegar ao Pérola, a polícia o alcança para detê-lo. Quando a grua prende na lateral do edifício, e ele se prepara para descer, o gancho solta. E por aí vai.

 

Da mesma forma, assim que ele encontra com a família, é forçado a se separar da filha. Quando a reencontra, ela é usada como refém para que ele cumpra uma tarefa para os vilões. O que conduz a um filme de ritmo equilibrado que faz com que a sessão de 102 minutos passe rápido.

 

Por outro lado, Thurber não consegue escapar de alguns clichês bobos, como a polícia que persegue o herói erroneamente. O pior, no entanto, é a necessidade do diretor de mudar de enquadramento a cada golpe nas cenas de luta. Um combate dentro de um carro é o destaque, porque não é possível identificar o que acontece em cada golpe no espaço apertado.

 

Ainda assim, na maior parte do tempo, a ação contida funciona para que a produção não caia na estupidez de manobras inacreditáveis. Tudo beira o limite do absurdo, mas só o cruza para criar rápidos clímaces e empolgar o espectador momentaneamente. No fim, é uma produção genérica que diverte, mas que nunca se propõe a ser outra coisa além disso.

 

Foto: divulgação

Vinícius Brandão é autor do site Aquela Velha Onda e parceiro da Se7e Cultura. Acesse aqui a programação dos cinemas.

 

 

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