Samsung lança TV disfarçada de obra de arte

November 6, 2017

O lugar da TV em casa vem mudando ao longo do tempo. Se você vivesse no começo dos anos 50 e estivesse comprando a sua primeira TV provavelmente teria um estranho móvel em casa, com imensas antenas e uma minúscula tela de 10 polegadas quase redonda, que usava materiais como baquelite (um tipo de resina plástica), madeira e metal, com muitos enfeites e treliças para disfarçar a necessidade de saídas para o ar quente. E quando eu falo móvel é móvel mesmo. De madeira e possivelmente com rodinhas para ser levada da sala de estar para a sala de jantar (ou onde fosse possível pegar o péssimo sinal). Pulando para o fim dos anos 60 a TV se consolidou como um móvel para a sala de estar da família, já era bem menor e misteriosamente quase sempre tinha pés do tipo palito, o que era intrigante, pois aquele caro aparelho ficava suspenso 40 centímetros do chão apoiado por quatro finas perninhas de madeira. Nessa época surgiram os primeiros sistemas integrados de TV com telas maiores, toca-discos e rádio integrados. Ou seja, um tipo de avô do Home Theater onde você poderia ouvir bem alto o som de péssima qualidade da transmissão da época. Pulando para os anos 80, a disseminação do VHS fez com que a TV buscasse uma área mais íntima em casa, onde as pessoas podiam ver de pijamas maratonas de filmes alugados sem o risco de serem interrompidas por uma visita. Mas a chegada dos sistemas digitais de entretenimento, como o DVD e as TVs de tela plana de LCD e plasma empurraram os aparelhos de volta para um lugar de honra da casa, pois os donos dos caríssimos Home Theaters queriam mostrar seus aparelhos para as visitas.

 

 

Mais recentemente a evolução das TVs fez com que as telas ficassem cada vez mais finas, mais baratas e com mais funcionalidades, chegando enfim às TVs inteligentes com serviços como Netflix, Skype, Facebook, aulas de yoga, jogos e outros. Mas para onde a TV vai agora? Segundo a Samsung, maior fabricante de TVs do mundo, uma possibilidade é sumir. Ficar invisível ou ao menos muito discreta. Assim nasceu a The Frame TV, que é um aparelho com tela de LED, resolução 4K e HDR Premium (vamos falar dessa sigla em breve). Se você voltar à imagem no começo deste texto, a TV é aquele quadro grande com uma pintura colorida. Sim, é uma TV disfarçada de quadro. E não é só a moldura ao redor da tela que a faz diferente. Ela possui moldura de madeira, é super fina e substitui aquele monte de cabos por um único cabo óptico transparente e discreto. Se você olhar de lado pensará que é um quadro normal. E quando você está vendo TV e “desliga” o aparelho ele pode entrar automaticamente no modo de exibição de arte, que fica ativo enquanto o sensor de presença embutido perceber que há alguém próximo. Se não houver, a TV desliga a tela por conta própria. Outro sensor, o de luminosidade, faz ajustes automáticos de brilho para o painel, dando uma impressão mais realista de se estar vendo um quadro e não uma televisão mostrando um quadro.

 

 

Junto com a TV, a Samsung também oferece um serviço de curadoria de arte. Os donos da The Frame TV podem optar por uma das 100 obras disponíveis na memória do equipamento, todas divididas em categorias como arquitetura, vida selvagem ou pintura. Também é possível comprar imagens na loja The Frame Store. Imagens avulsas custam R$ 66 ou optar pela assinatura do serviço, que custa R$ 16 por mês com acesso ilimitado a todo o acervo disponível, incluindo grandes artistas como Monet. Mas se você preferir aquela foto de família, pode enviar por meio do smartphone. Em outros mercados há três opções de tamanho: 43, 55 e 65 polegadas. No Brasil, ao menos por enquanto, só a versão de 55 polegadas está disponível exclusivamente na Fast Shop com preço sugerido pela Samsung de R$ 8.999. É um preço alto. Mas se você comprar vai poder dizer que tem na sua sala “a mais bela TV já fabricada”, ou que tem uma peça do designer suíço Yves Behar, que criou a TV para a Samsung.

 

Rubens Bonfim é jornalista, trabalha com TI e escreve sobre vida digital no blog Vivendo no Século 21 (vivendoseculo21.wordpress.com).  É colaborador da Se7e Cultura e escreve a coluna Diversão Digital sempre dedicado à insana tarefa de acompanhar tudo que sai sobre entretenimento digital

 

 

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