Empreende na dor e na alegria

September 17, 2017

Conheci Marco Túlio, popularmente conhecido como Tuim, em 2001. Figura amigável e bem-humorada, estudou no colégio Laser, ao lado do não menos simpático Aléssio Alencar, vulgo Zarabataba. Planejam, inclusive, um reencontro de sua turma de escola, porém, devo confessar que já procurei adoidado este estabelecimento de ensino e não o encontrei. Gostaria de ir lá resgatar momentos interessantes da vida destes dois chapas para, quem sabe, futuramente, biografá-los.

Na época em que começamos a manter contato, esse meu amigo Tuim atuava como expert em Tecnologia da Informação (TI). Entretanto, com o tempo, circunstâncias da vida o fizeram se recolocar no mercado profissional. De empregado virou empreendedor.

Ao invés de ficar reclamando da vida, como muitos, Marco Túlio investiu no setor de gastronomia. Abriu o Butiquim do Tuim, na Quituart, espaço de culinária localizado no Lago Norte, bairro nobre de Brasília. Também chamada de Latinharia, a loja comandada por Marco e sua esposa, Elísia, vende cervejas artesanais, cachaças, caipirinhas e pratos como a Linguiça Catedral, criação da casa.

O Butiquim funciona de quinta a domingo, mas se engana quem pensa que Tuim trabalha apenas quatro dias por semana, como deputados e senadores. A vida dos que empreendem não é fácil. Tem que controlar estoques, comprar mercadorias, manter a limpeza do bar, calcular as despesas, se valer da inovação e por aí vai. “Ainda não encontrei um jeito de pedir para as cervejas virem direto até aqui, sem que eu precise me mexer e apenas tenha que dizer: entra na geladeira, cerveja!”, brinca Tuim.

Depois de duas décadas vivendo na Alemanha, em Berlim, Aléssio Alencar, a exemplo do antigo colega de sala, se transformou em empresário, só que do meio agrícola. Assumiu uma fazenda no interior de Pernambuco, junto a sua esposa Antina, e lá toca a produção de artigos agropecuários. Um autêntico faz-tudo, meio MacGyver, constrói suas moendas a partir de sucata. O cara é um gênio e quer contribuir para estimular a economia do Agreste.

Citei esses dois exemplos porque quis dedicar a coluna da semana à brava gente empreendedora, que enfrenta todo tipo de dificuldades, como carga tributária altíssima e burocracia hercúlea, para tocar seus negócios, gerando emprego e renda para milhões de trabalhadores.

Mais do que nunca manter uma empresa não está fácil. O Brasil afundou numa recessão com 14 milhões de desempregados. Que um dia a gente consiga sair deste buraco. E quando isso acontecer, sem dúvida, deveremos muito não aos políticos e sim a camaradas como Tuim e Zarabataba, que levantam cedo e pegam no batente para sustentar suas famílias, atender muito bem os clientes com produtos de bom nível e ainda levar o país para frente. Vai nessa, rapaziada.

Marcelo Araújo é jornalista, escritor e colaborador da Se7e. Autor do blog www.tijoloblog.wordpress.com. Publicou os livros Não Abra – Contos de Terror, Pedaço Malpassado, A Maldição de Fio Vilela, A Testinha de Gabá e

 Casa dos Sons.

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