Se o leitor não vai ao livro, o livro vai ao leitor

August 7, 2017

Mantido pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Associação Brasileira de Livros Escolares (Abrelivros), o Instituto Pró-Livro encomendou em 2016 uma pesquisa ao Ibope que revelou dados preocupantes em relação à leitura no Brasil. O estudo apontou que 44% da população brasileira não leem nada e que 30% nunca compraram um livro.

 

 

Alguns fatos nos ajudam a compreender esses números. Primeiro: livro no Brasil é muito caro. Qualquer livrinho de bolso fica entre R$ 20 e R$ 30. Segundo: temos poucas bibliotecas públicas. São cerca de 7,5 mil, para uma população de aproximadamente 207,7 milhões de habitantes. Sabemos que nem todos os municípios do país dispõem de um espaço como esse.

 

 

Então, é mais do que louvável a iniciativa de gente e de instituições que criam alternativas para ampliar o acesso do nosso povo à leitura. Um desses ilustres batalhadores mora em Brasília e se chama Luiz Amorim. Com uma incrível trajetória de superação, Luiz aprendeu a ler aos 16 anos e depois passou a incentivar nos outros um hábito que transforma vidas.

 

 

Proprietário do açougue T-Bone, inicialmente, Amorim montou uma biblioteca em sua loja, onde clientes e quaisquer outros poderiam levar livros para casa emprestados. Em seguida, espalhou estantes pelas paradas de ônibus da capital do país, oferecendo de obras didáticas a clássicos da literatura, em um projeto chamado Livro na Parada. Você pode se informar sobre os diversos eventos culturais e artísticos do T-Bone no link http://www.t-bone.com.br/index.php/t-bone-cultural/. 

 

 

Também moradores da capital do país, os servidores públicos Andrey do Amaral e Fernanda Carvalho desenvolvem um trabalho para fomentar o gosto por livros, principalmente em comunidades de menor renda. Levam debates, palestras, sessões de autógrafos e exibição de filmes a estudantes e demais moradores de regiões carentes de opções de lazer, na periferia do DF e na região do Entorno, na chamada Mostra de Literatura. Eu mesmo já tive oportunidade de ir com eles falar dos meus livros a alunos de Ensino Médio, na cidade de Águas Lindas, em Goiás, e na Cidade Estrutural.

 

 

No momento, o casal toca o projeto O Legado da Cidade e do Homem. “Este projeto incentiva muito a leitura. A gente utiliza como referência alguém que empreendeu do ponto de vista educacional e cultural em Brasília, apresenta um perfil desse cidadão a professores de Língua Portuguesa e a alunos da rede pública, principalmente. Depois, realizamos uma oficina de texto, para criar uma versão romanceada desse personagem e para estimular o hábito da leitura”, conta Andrey. Quem quiser entrar em contato com ele, favor mandar um e-mail para andreydoamaral@gmail.com.

 

A 1,2 mil quilômetros de Brasília, na cidade paranaense de Ponta Grossa, o professor Idomar Augusto Cerutti tem como meta “aproximar livros sem leitores de leitores sem livros” no Pegaí Leitura Grátis. A iniciativa não possui fins lucrativos e nem vínculos governamentais. Desde 2013, Idomar, que trabalha como professor, monta estantes em lugares públicos a partir de doações que recebe de escritores, empresas e de pessoas físicas. Os interessados podem pegar as obras e lê-las de acordo com sua disponibilidade de tempo. Somente no primeiro ano de atividade, o Pegaí Leitura Grátis disponibilizou cerca de 20 mil livros. O Pegaí Leitura Grátis recebe, em média, 1,6 mil livros doados mensalmente.  

 

 

Idomar revela que algumas editoras se tornaram suas parceiras, enriquecendo o acervo de sua campanha. “Algumas delas até já ‘adotaram’ estantes”, conta o coordenador, explicando que para fazer isso basta mantê-las sempre com livros.

 

 

Junto com Idomar nesta batalha há um grupo com mais de 90 voluntários. Para pegar um empréstimo não precisa de cadastro. Para devolver, há caixas de coletas. Os livros do Pegaí são separados e registrados pelos voluntários, que carimbam, colocam etiquetas e os classificam por faixa etária. O contato com Idomar Augusto Cerutti se dá por meio de sua assessora de imprensa, Luciane Rosas Rodrigues, pelo e-mail imprensa@pegai.info e pelo telefone (42) 9105-4605.

 

 

Depois de dar esses exemplos, só tenho a agradecer a essas figuras que lutam para democratizar a leitura em um país com tantas carências. Sabemos da importância de ler para a formação de indivíduos conscientes de sua realidade. Parabéns a todos!

 

 

Marcelo Araújo é jornalista, escritor e colaborador da Se7e. Publicou os livros Não Abra – Contos de Terror, Pedaço Malpassado, A Maldição de Fio Vilela, A Testinha de Gabá e Casa dos Sons.

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