Literatura nas páginas da web

July 7, 2017

Embora não seja teórico da comunicação, penso que um ponto fundamental na distinção entre os sites de relacionamento, modelo popularizado no Brasil em meados dos anos 2000 com o extinto Orkut, e as redes sociais diz respeito a como ferramentas tipo Instagram e Facebook podem funcionar com as mais diversas finalidades. Isso inclui objetivos profissionais, artísticos, políticos e sociais.

 

Como escritor, foi uma grata descoberta saber que poderia me valer desses instrumentos para ampliar a divulgação da minha carreira. Comecei a pesquisar e a entrar em contato com perfis literários destinados a falar de livros, alguns com dezenas de milhares de seguidores. De início, um aplicativo para possibilitar que pessoas comuns produzissem suas próprias fotografias automaticamente, o Instagram expandiu horizontes e se abriu às palavras.  

 

Ali, descobri o Universo dos Leitores (@universodosleitores), mantido pelas jovens mineiras Isabela Lapa e Kellen Pavão e com um número de seguidores que hoje beira 40 mil. Com comentários sobre filmes, quadrinhos, séries, cinema, música e cultura em geral, o Universo dos Leitores possui importante foco na literatura, publicando resenhas tanto sobre autores consagrados como de menos conhecidos. Isabela e Kellen mantêm o site homônimo (www.universodosleitores.com). 

 

Mas não me deparei apenas com páginas para divulgação das minhas obras. O Instagram me permitiu conhecer muita gente legal que está escrevendo, alguns com trabalhos publicados e outros que, por enquanto, usam os posts na rede para apresentar seus poemas e contos. Vejo muita atitude em toda essa turma, que batalha em diversos fronts para mostrar sua arte sem se intimidar com crise econômica ou falta de espaço na mídia tradicional. O que vale é a criatividade, tanto para escrever quanto para promover suas obras.

 

Entre esses artistas, me chama a atenção a carioca Ana Duarte, que publica textos sobre amor com extrema delicadeza sensorial, repletos de jogos de palavras e, eventualmente, com toques refinados de ironia e humor. Quem quiser conhecer seus versos pode acessar no Instagram o perfil @céu_azul_e_tempestade. Ana publicou poemas no terceiro volume da revista Bacanal, da editora Nautilus.

 

Em meio a tanta novidade, me impressiona a produção de uma nova autora paulistana chamada Cristiane Morphine Epiphany. Praticamente, toda semana, ela aparece em uma coletânea, em livros ou revistas, escrevendo de contos de suspense e terror a poesias e já ganhou alguns concursos de literatura. Com uma aura rock’n’roll, Morphine Epiphany assina escritos, conforme ela mesma define, “trevosos”. Também marcou presença na revista Bacanal. Mais sobre ela no perfil do Insta @morphine_epiphany.

 

Não poderia encerrar sem falar do grande escritor Andreas Noras, autor carioca radicado em Sampa. Sua arte parece um encontro entre Realismo, Naturalismo, punk rock e Charles Bukowski pelas ruas desse mundo doido. Andreas tem enorme sensibilidade para soar ora brutal, ora suave, indo das lágrimas ao sexo desenfreado. Lançou cinco livros, sendo Gabrielle o mais recente. Quem quiser saber mais sobre ele acesse o endereço http://andreasnora.blogspot.com.br/ ou o perfil @andreasnora_escritor, no Instagram. Não vai se arrepender.

 

Marcelo Araújo é jornalista, escritor e colaborador da Se7e Cultura. Publicou os livros Não Abra – Contos de Terror, Pedaço Malpassado, A Maldição de Fio Vilela, A Testinha de Gabá e Casa dos Sons.

 

 

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