Sowell, um direitista negro que adora história.

July 4, 2017

Nessa rasteira troca de ofensas entre “coxinhas” e “mortadelas” os primeiros são acusados de não gostarem de ler história e os segundo de não trabalhar. E segue o jogo nessa mediocridade de dar dó (de nós mesmos).

 

A sugestão de hoje é para qualificar o debate.  Para um coxinha que quer afiar as facas (argumentativas) ou para o mortadela que busca entender como o inimigo ideológico pensa.  E para vencer o inimigo é necessário saber como funcionam seus cerebelos, não simplesmente dizer que não há nada sob os ossos que protegem sua cabeça.

                                                       Foto: Divulgação.

Trata-se de mais um livro de Thomas Sowell, o economista liberal-conservador norte-americano, hoje com 86 anos. Atualmente ligado à universidade de Stanford, vale ser lido por gente que gosta ou não de história, que aprecia ou não o trabalho e por todos que dão valor a uma linguagem límpida de raciocínios sofisticados.

 

No caso aqui, o livro recém-lançado pela editora Record chama-se “Fatos e Falácias da Economia”. As conclusões dessa obra são provocadoras e anti-intuitivas, o que é um estímulo e tanto para quem gosta de pensar um pouco e sabe que ser contrariado em suas certezas no fundo faz muito bem.

 

Apenas como exemplo, algumas das muitas conclusões que chega o livro:

- Políticas sociais bem intencionadas podem levar regiões inteiras à pobreza e à degradação.

- As diferenças de renda entre homens e mulheres são evidentes. Mas se a pesquisa é refinada entre mulheres e homens com mesmo nível de ensino, que jamais se casaram, e nunca tiverem filhos, há vantagem financeira para o sexo feminino.

- Casamentos e filhos tendem a ser ruins para a renda das mulheres. Com relação aos homens o movimento é contrário. Ele busca enfraquecer o argumento de que mulheres ganham menos por questões de discriminação. 

- As pesquisas que concluem que há aumento de desigualdade entre pessoas ou nações em geral possuem erros grosseiros de metodologia. O aumento do comércio aproxima nações. 

- Onde o mercado predomina, há muito menos descriminação contra minorias como negros e judeus do que instituições autárquicas ou sem fins lucrativos. Aqui explico a razão: o mercado precisa da mão de obra mais eficiente ou barata. Discriminar é contra os negócios.

- Comunidades negras dos EUA que não se envolveram em protestos raciais se tornaram mais prósperas.  As manifestações dos anos 60 na verdade desaceleraram o avanço social dos negros. Polêmico, isso, não é?  Mas nesse caso, Sowell, que é negro, como sempre parece ter propriedade sobre o que fala. Não exatamente por ter vivido a questão de perto, mas pelo tipo de argumento e dado que apresenta.

- Quanto mais longe um país pobre está comercialmente das nações “imperialistas”, mais pobre ficará. As causas da pobreza se dão por motivos internos. Nesse sentido, ajudas “humanitárias” internacionais são contraprodutivas e perigosas.

- Uma cultura de educação, trabalho, valorização das famílias e inovação tiram mais gente da pobreza do que qualquer programa social. É a base dos países ricos.

- Fora da economia de mercado não há saída. Aliás, dê aos empresários o que eles menos querem: competição.

 

Mas o melhor do livro é como Sowell chega às etapas finais de seus processos argumentativos. Com rigor histórico, respeito aos dados e, sobretudo, bastante sagacidade e coragem de enfrentar o lugar comum. É para gostar mesmo se discordar.

Leiam.

 

Fabiano Lana é jornalista, filósofo, cinéfilo, colecionador de discos de vinil e colaborador da Se7e Cultura

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