• Marcelo Araújo

Apesar de tudo, feliz Dia das Crianças


O Dia das Crianças não vai ser tão alegre este ano, após a tragédia na cidade mineira de Janaúba, na quinta-feira, 5 de outubro, quando um psicopata atacou uma creche. O demente, que trabalhava no local como vigilante, jogou combustível e ateou fogo nos meninos, provocando a morte de sete deles e da professora que tentou defendê-los. Após o crime, o bandido incendiou o próprio corpo e também morreu.

Não dá para entender o que leva alguém a praticar ato de tamanha brutalidade contra seres incapazes de se defender. Violência é sempre terrível, porém com crianças sempre ganha peso maior. Infelizmente, proliferam casos absurdos que envolvem menores, com violência física, tortura psicológica, exploração sexual, pedofilia, trabalho infantil, vício em drogas e até mesmo assassinatos.

Frequentemente, chegam notícias de crianças mortas em comunidades do Rio de Janeiro vítimas de balas perdidas, em meio a tiroteios entre marginais e polícia. Cito o episódio em que um bebê, ainda na barriga da mãe, levou um tiro, perdendo a vida pouco tempo depois. Ou o caso do garoto encontrado embaixo da cama de um estuprador, em uma prisão no Piauí, aonde foi levado pelo próprio pai.

São ocorrências chocantes. Assusta o fato de parte da sociedade conviver com esse cenário sem se indignar. Será que nos comovemos com as criancinhas com caixas de chicletes na mão, dia e noite, sob sol e chuva, frio e calor, descalças, nos semáforos das grandes cidades, sofrendo para nos convencer a comprar alguma coisa porque se chegarem às suas casas de bolsos vazios vão levar uma tremenda surra? E outras milhões vendendo o corpo em troca de um prato de comida, carregando fuzis e trouxinhas de drogas, abusadas dentro do próprio lar ou convivendo com esgoto e balas perdidas nas favelas? O que se faz para mudar tudo isso?

Espanta que alguns vociferem no mundo real e nas redes sociais em defesa da inocência dos miúdos, e, ao mesmo tempo, se declarem a favor do castigo físico como forma de educar. Dizem: “Qual o problema em dar uma palmada ou cintada? Eu apanhei muito e não me tornei uma pessoa problemática?”. Como se um erro justificasse outro, afinal, é bem mais fácil agredir do que dialogar. As guerras no mundo inteiro seguem raciocínio similar desde o princípio da humanidade.

Que o Dia das Crianças nos incentive a pensar numa realidade mais justa para esses pequeninos. Alguns passos podem ser dados neste momento. Muitas empresas, instituições e pessoas físicas organizam campanhas para doar livros, brinquedos e roupas a quem não tem nada. Que tal colaborar?

Marcelo Araújo é jornalista, escritor e colaborador da Se7e. Autor do blog www.tijoloblog.wordpress.com. Publicou os livros Não Abra – Contos de Terror, Pedaço Malpassado, A Maldição de Fio Vilela, A Testinha de Gabá e Casa dos Sons.


5 visualizações

Posts recentes

Ver tudo
Anuncie aqui na Sete Cultura
banner 17 dias.jpg
thumbnail.jpg

Os roteiros de cinema, shows, teatro, diversos, exposição e festas não são publicitários. Estes podem ser enviados para o nosso email contato@setecultura.com

Não nos responsabilizamos pelas modificações de última hora. 

As fotos utilizadas são de Divulgação.

Os artigos assinados não são de responsabilidade da Sete Cultura. Todos os direitos reservados. 

Reprodução proibida sem autorização por escrito.

Dúvidas, Anúncios e Programação

Envie seu email para:

contato@setecultura.com

  • White Facebook Icon
  • White Instagram Icon

@setecultura

© 2017 por Sete Ltda. Orgulhosamente criado com Wix.com