• Fabiano Lana

A mãe megalomaníaca


O filme do momento é “Mãe!”, do americano Darren Aronofsky. É mais um exemplo de amo/odeio que infesta as redes sociais de internet causando rompimentos entre amigos e família. No começo, um drama familiar, a história de um casal que vive em uma mansão isolada no interior os EUA, no campo. Ela, angelical, algo apática. Ele, mais velho, um escritor aparentemente em crise que tenta recuperar a inspiração (isso é um clichê). Eles recebem uma visita inesperada. Daí a história segue em uma trajetória imprevisível rumo ao delírio e ao caos.

Muitos consideraram a película repugnante. No meu caso, duas senhoras abandonaram a sala de cinema uns 10 minutos antes de o filme se acabar (se você assistir saberá exatamente o motivo). Outros aplaudem bastante. Invocam que se trata de uma grande metáfora da vida com Javier Barden no papel de Deus, Jennifer Lawrence de Mãe Natureza passiva e abusada, Eddie Harris de Adão, e Michelle Pfeiffer de Eva. Tudo corresponderia a uma grande analogia da trajetória bíblica da humanidade – o que seria corroborado pelos créditos finais.

Aronofsky tem uma curiosa carreira que seguia em uma direção ascendente em intensidade até alcançar certo equilíbrio com o Lutador e com Cisne Negro, para entrar em uma espiral com Noé e agora com Mãe! Espiral que não se sabe se vai para cima, para baixo ou pra lugar nenhum.

O que se pode concluir é que o badalado diretor deixou de fazer filmes coesos sobre seres humanos que vivem em situação limite (Mickey Rourke em o Lutador, Natalie Portman em o Cisne Negro) e agora parece que foi tomado pela necessidade de ser majestoso em suas obras. Precisa contar uma grande história que envolva os céus e a terra. Noé já padecia de sintoma semelhante a Mãe! Espero que seu psicanalista agora o aconselhe a dirigir um drama familiar com muitos diálogos, ou uma comédia romântica sem qualquer efeito especial, para a cura.

No caso de Mãe!, classificado como suspense, diverte-se bastante em algumas cenas. Mas acho que era para refletir. Algumas eram para se divertir e provocam reflexão – arte tem dessas coisas. Como tantos, na sala do cinema, também comecei a construir uma teoria de que o filme se tratava de mais um pacto faustiano do artista com o tinhoso para ter em troca o talento, a fama, e a imortalidade e outras coisas mil, porém as consequências vêm em sangue. Mas depois de tantas cenas de impacto o tédio tomou conta e tornou-se bobagem interpretar. Era megalomania demais da conta.

Mas como você pode ser daqueles que irá curtir muito, não deixe de assistir por uma crítica qualquer. Amar ou não amar é uma loteria.

Confira aqui a programação.

Foto - divulgação

Fabiano Lana é jornalista, filósofo, cinéfilo, colecionador de discos de vinil e colaborador da Se7e Cultura


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