• Rubens Bonfim

Os filmes em 3D estão condenados?


Quando chegou aos cinemas em 2009, o filme Avatar, do diretor James Cameron, causou uma corrida aos cinemas para que as pessoas pudessem se transportar para o fictício planeta Pandora e apreciar as aventuras do soldado humano Jake Sully e da alienígena Na´Vi, Neytiri, a princesa do clã Omaticay. Apesar da trama parecer uma mistura de Aliens com Pocahontas, Avatar conseguiu alcançar a marca de US$ 2,7 bilhões e se tornar a maior bilheteria de cinema de todos os tempos. O seu grande atrativo foi uma nova técnica que permitia assistir aos filmes com um impressionante e realista efeito tridimensional. Por conta do sistema de projeção, que obriga inclusive a assistir ao filme com óculos especiais, o ingresso também é mais caro, o que ajudou a dar uma turbinada na receita de Avatar.

Ainda hoje, mesmo com praticamente todos os grandes cinemas oferecendo salas com possibilidade de projeção 3D, o preço do ingresso ainda é de 25% a 50% mais caro nas exibições tridimensionais. E esse é o primeiro ponto que tem jogado contra o filme 3D. O segundo é que a projeção é mais trabalhosa que a do filme normal. Então é muito comum encontrar pessoas reclamando que não conseguiram enxergar trechos da história porque a tela fica muito escura. Outro ponto é a qualidade das produções em si. No começo da década, seguindo a trilha bem sucedida de Avatar, começaram as produções em 3D, com a captação de imagens feitas para o formato. Mas também vieram muitos filmes gravados com câmeras normais e transformados em imagens 3D, o que frequentemente tem um resultado final fraco e até mesmo adverso.

Outro problema com as produções em 3D foi o uso doméstico. Apesar da febre e da oferta maciça de aparelhos, pouquíssima gente assistiu de fato alguma coisa no formato tridimensional. A tecnologia foi tão mal recebida que a Samsung, maior fabricante de TVs do mundo, abandonou o barco tridimensional em sua linha 2016 de TVs. Produzir um filme em 3D é mais caro e mais complicado. Se a audiência ficar restrita aos cinemas e não sair em vídeo doméstico, fica ainda mais difícil um filme no formato ser lucrativo. Em especial nesses tempos que o VOD se tornou popular, o filme em 3D é muito mais pesado que um filme normal para assistir, pois na verdade é como ver dois filmes ao mesmo tempo. E nem toda conexão aguenta.

Até mesmo os principais apoiadores do 3D, como a Imax, especializada em projeções em telas imensas, já afirmaram que a tecnologia passará por uma redução e que ficará restrita a menos projetos no futuro. O fato é que as vendas de ingressos para filmes em formato 3D têm caído. Nos EUA a participação na bilheteria destes filmes era de 21% do total de ingressos vendidos, com US$ 2,2 bilhões em exibições. Em 2016, a participação dos filmes 3D nos EUA caiu 14% da bilheteria total, fechando o ano em US$ 1,6 bilhão. Curiosamente, o público fora da América do Norte tem mantido mais interesse no cinema 3D. Em nível global, tratando apenas dos cinemas que podem exibir no formato 3D, mais de 50% das sessões são exibidas dessa forma. E se depender de James Cameron, os filmes em 3D não vão morrer. O diretor está trabalhando em nada menos que quatro filmes que darão sequência a Avatar. Todos em 3D.

Rubens Bonfim é jornalista, trabalha com TI e escreve sobre vida digital no blog Vivendo no Século 21 (vivendoseculo21.wordpress.com). É colaborador da Se7e Cultura e escreve a coluna Diversão Digital sempre dedicado à insana tarefa de acompanhar tudo que sai sobre entretenimento digital.


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