• Marcelo Araújo

Algodão doce pra vocês


Qual não foi minha surpresa ao ver no Facebook que o artista e educador Daniel Azulay completou no dia 30 de maio 70 anos. Desenhista, compositor e escritor, esse carioca influenciou várias gerações com uma obra que já na década de 70 levava às crianças conceitos como o da sustentabilidade.

Foto: Divulgação

Felizmente, fui um desses miúdos que mantiveram contato com o trabalho de Daniel. Tinha dez anos e toda noite, lá por volta das seis, ligava na TV Educativa para assistir ao seu programa, que abria com uma inesquecível canção que dizia “Olá, amiguinhos, alô, alô, turma de casa”. De óculos e com uma gravata borboleta, o apresentador ficou famoso pelo bordão “Algodão doce pra vocês”, que falava ao se despedir, emendando com um assobio e uma puxadinha na orelha.

Eu que desde criança gostei de escrever e desenhar prestava atenção porque Azulay ensinava a pôr no papel seus personagens da Turma do Lambe-Lambe, como Pita, Piparote e Xicória. Outro mérito seu era ensinar a construção de brinquedos a partir de sucatas, como caixas de fósforo e caixas de ovos, sendo um pioneiro na educação para reciclagem. Seus programas vinham recheados de desenhos, músicas e mensagens para a molecada sobre saúde, cultura e tantos temas.

Depois, Daniel Azulay foi para a TV Bandeirantes e ainda trabalhou ao longo da carreira em veículos como UOL, Canal Futura e TV Rá-Tim-Bum. Vale destacar que seu trabalho alcançou reconhecimento internacional, rodando o mundo em exposições.

Acho que um cara como Azulay fez a diferença para milhares de pessoas que prestigiaram – e ainda prestigiam – sua obra. Trata-se de um modelo de educador por meio da arte que deveria inspirar políticas públicas nesse país em que educação e cultura não recebem o merecido reconhecimento. Eu mesmo, se sou escritor e arrisco de vez em quando uns rabiscos devo muito a Daniel por ter me estimulado a imaginação.

Infelizmente, a partir de meados da década de 80, produções como o maravilhoso Sítio do Pica-Pau Amarelo, A Turma do Tio Maneco, Bicho de Goiaba, Bambalalão e o de Azulay deram lugar na preferência da garotada a shows de qualidade duvidosa de apresentadoras patricinhas e sem conteúdo, mais preocupadas com merchandising de laticínios e com suas canções banais do que com a educação do público. Porém, a maioria dessas mocinhas caiu no esquecimento, enquanto Daniel Azulay está firme e forte aos 70. Parabéns, mestre!

Marcelo Araújo é jornalista, escritor e colaborador da Se7e. Publicou os livros Não Abra – Contos de Terror, Pedaço Malpassado, A Maldição de Fio Vilela, A Testinha de Gabá e Casa dos Sons.


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