• Marcelo Araújo

Com vocês, o professor de cinema


Nesta coluna, quero me dedicar a um daqueles personagens interessantes dos quais prometi falar e sobre os quais escrevia anos atrás nos tempos da edição impressa da revista Sete. O nome dele é Sérgio Moriconi, professor de cinema, cineasta, escritor e pesquisador, figura importante nos meios educacionais e culturais brasilienses por desenvolver um trabalho de divulgação da Sétima Arte, principalmente para os jovens.

Foto: Sérgio Moriconi por Luana Lleras

Sérgio, já há algum tempo, é o responsável pela programação de filmes do Cine Brasília, o cinema público da capital do país. Com enorme conhecimento da história, dos diretores e das tendências cinematográficas, ele nos privilegia no Cine Brasília com produções nacionais e internacionais que não encontram espaço no circuito comercial.

Comecei a manter contato mais próximo com Serginho em 1995, quando fiz um curso com ele no Espaço Cultural da 508 Sul, que, no momento, se encontra em obras de revitalização. Sérgio oferecia regularmente cursos de cinema com várias temáticas, como criação de roteiro, direção de documentário e filmes de animação.

Destaco que os meses em que ia à tarde para o Espaço Cultural da 508 assistir a essas aulas foram mágicos. Digo isso não só pelos conhecimentos transmitidos, mas pelos filmes fantásticos que tive oportunidade de assistir, como os clássicos franceses Zero de Conduta, de Jean Vigo, A Nós a Liberdade e Paris que Dorme, de René Clair, e Boudou Salvo das Águas, de Jean Renoir. No mesmo curso, houve uma mostra de Federico Fellini, que entre os títulos trouxe La Dolce Vita.

Chamava-me a atenção neste curso o fato de a maior parte dos alunos serem jovens entre 15 e 20 anos. Estavam ali encantados com o que viam e alguns deles, tenho certeza, foram trabalhar com cinema devido a esse belo incentivo.

Mesmo não tendo feito mais cursos com Moriconi, ao longo dos anos prestigiei outras mostras organizadas por ele, como uma dedicada à Escola de Cinema de Lodz, da Polônia, no Museu da República, em dezembro de 2008. Ali, novamente, vimos pérolas, como Faca na Água, de Roman Polanski, e Inocentes Charmosos, de Andrzej Wajda, duas películas embaladas pelo jazz sofisticado do pianista Krzysztof Komeda.

Sérgio Moriconi também dirigiu o filme Athos, em 1998, dedicado ao artista plástico Athos Bulcão. É ainda autor do livro Cinema – Apontamentos para uma História, sobre o cinema no Distrito Federal. Também escreve sobre música e cultura em geral em veículos da imprensa.

Se um dia esbarrar com Serginho pode puxar assunto porque a conversa rende. Trata-se de uma figura de extrema simpatia. Por que resolvi falar dele? De certa forma, para lembrar do papel dos professores e de todas as pessoas que trabalham com a educação por meio da arte, com experiências que certamente merecem ser replicadas por todos os cantos. Um país como o Brasil deveria valorizar mais esses profissionais pois, com a paixão pelo trabalho e seus conhecimentos, ajudam a transformar a realidade.

Marcelo Araújo é jornalista, escritor e colaborador da Se7e. Publicou os livros Não Abra – Contos de Terror, Pedaço Malpassado, A Maldição de Fio Vilela, A Testinha de Gabá e Casa dos Sons.


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