• André Campos

Modernidade nos tempos da Lava-Jato


Capitão Fantástico promove reflexão sem dor ou sono

Foto: Divulgação

Única economista na qual confio, minha filha Maria Luiza foi a primeira a alertar. “Papai, Capitão Fantástico é sensacional”, comentou a caloura da UnB em meio a uma resenha doméstica sobre suas agruras em cálculo.

Ao tomar conhecimento de que o filme – dirigido por Matt Ross com atuação marcante de Viggo Mortensen – podia ser alugado na TV a cabo, minha preguiça de quase meio século perdeu, enfim, para minha fissura (paixão) pela sétima arte e decidi seguir a sugestão da futura presidente do FMI.

O longa-metragem se vende como comédia, mas evolui (bem) na chave do drama. Tem uma das cremações mais animadas da história universal. E acaba por fazer uma reflexão crítica profunda, porém nada dolorosa ou sonífera, sobre o que é ser moderno.

Quando no ano 1075 depois de Cristo, isto é, 942 primaveras atrás, o monge beneditino Berthold von der Reichenau cunhou em latim a palavra modernistas, não se imaginava que naquele relato de uma reunião convocada pelo papa Gregório VII começava uma saga – em breve – milenar.

Capitão Fantástico abriu em mim uma fissura (ruptura): o que é ser moderno no Brasil atual?

A pergunta impede binarismos nestes tempos de Lava-Jato em que Noam Chomsky – ídolo global dos progressistas e figurinha simbólica do filme – critica com rigor seus adoradores latino-americanos (brasileiros em especial) mais convictos.

Sem pretender dar qualquer resposta à minha indagação, tropeço no controle remoto do século XXI. A fabulosa geringonça nega –toda pimpona – um dos velhos hits dos anos 1980: “A televisão me deixou burro, muito burro, demais”. Deixou nada, brother!

André Campos é jornalista e colaborador da Se7e.


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